Beatriz Bajo

 

 

 

MARIO SANTIAGO PAPASQUIARO

Tradução de Beatriz Bajo

 

COITO PAUTADO

     Caldeira de diabos elétricos / minha pele à caça de teus fornos
     Entra a noite em minhas pulsações
     a febre levanta pirâmides de agulhas capazes de aflorar montanhas em minha ressaca
     Teu corpo é meu solaço : meu sótão negro / minha Rosa Mayor & meu pandeiro
     o canil de céu & cadências que me tornam 1 bruto parvo açoitador de camas
     & leito de Grijalvas sexo na selva
     & nave florida & rinoceronte com arpão de prata
     Na rua ou em quartinhos
     Enterrado na areia ou em teus beijos
     Astros de esperma : martelos vivos cuspo empurro lanço ao rosto
     à rua ou lábio minguante em que gemes
     Nem 1 dedo perderei / nem 1 mão de meus naipes

          Teu sereno : teus terremotos são minha hóstia / são minha droga
          o peixe de sangue que se derrama com sua dança em meus oceanos
          Desde estas alvuras já não sei
          se ferrei tua sela ou teus cascos
          A cama / que herdaste de tuas tias ainda me tenta
          A Maga de Oliveira & de Cortázar encontro embaixo do grifo gotejante de teus uivos brancos
          Caldeira enfornada na lira de sátiros suados
          Paisagem que em seu olho / elege os pincéis & o material em que há de banhar-se o Action Painting
          Caldeira de diabos elétricos
          tua pele contra minha pele faz milagres

 

O MILAGRE EXIGE

     Que via imaginarei
     para seguir flutuando
     & atravessar a selva sempre crescente do grosseiro rio
     El milagro exige
     De meus ossos flor
     & de minha mente frutos
     Neste crepúsculo preciso
     em que a nuca do sol
     vai de focinho
     O ouro sepulta à cinza
     a praga ao mar
     a magia a toda pressa

 

 

ROSTO QUEIMADO

Para Akira Kurosawa

     Introduzi minha vida
     na vulva radiante da estupefação
     / minha droga é respirar este ar quente /
     Traduzir à lua na minha pele
     : irmanar minhas feridas com sua seiva crescente :
     À margem do fulgor do trem
     Meu sonho é 1 trajeto coital derramado
     / Minha escritura: minha cama /
     Minha mulher: a Paixão
     Entre espinhos & flamas
     Me desperta o milagre
     de beber meu arrebol
     pois do trevo se trata

          Da veia maciça do ornitorrinco cantor
          Do espelho pintado de sangue
          Da dança arquejante
          De viver no instante
          /  O chaquira do morto é revendido pelo adeus /
          A vila mais miserável é entrada do sol
          Porque trago arco-íris
          Porque cago relâmpagos
          Quiçá voem meus olhos
          Enlaçados no vento
          A este cristal revivido / que rompe seu cárcere
          : Aura gotejando calor :

 

 

FLASHES DE VIDA LASER

     Me esvazio totalmente
                No basculante das palavras
     Beijo o véu da destruição
                Arco-íris negro das têmporas
     Estou & não estou
                Ejaculando / como sempre / luz
     O pó é também
                 Espírito & folhagem de meu corpo
     A agulha fosca do viver
                 Rompe a cratera pueril de minhas ânsias
     Supões apenas
                 Desenhas o ardor de tua silhueta
     À hora suprema do fervor
                 Sublinhando a ponte em ponta de teu transe
     A hipnose-caldo fervente
                 Que antecede o harakiri
    
          São Suicida do Curral
                      Enteado que trafega dinamite
          A explosão é tua mulher
                     Possui-a estalando
          O revólver do sentir
      É tua própria costela
          Recife de arrabaldes
                       Arremétrica suada
          Como nuvem de relâmpagos dementes
       Incendiando a sujeira
          Aninhada em teus sonhos de cristal

 

 

HOUDINI’S SONG

     I

     Vivo meu desaparecimento
     À hora dos relógios brandos
     Golpeado pelas contrações-sopro de larvas desta espécie-fim de festa
     Aprisionado inclusive no pote de grilhões dos eus

     II

     O bosque de vidro corre até o rio
     Multidões de videntes bebem merlo
     Montanhas vermelhas carregam ao dia
     Em pleno você / absorto em nos
     vou-me / cavando
     não ao inverso
     não fazendo muuus

          III

          O já amado ainda unge luz
          As pombas não merendam com o Cristo do perdão
          Que mais dizer / fendida a vela
          Fulge minha fuga
          espelho : o céu
          Me desatou
          Rompo fronteiras
          Não sou aposta
          Odeio meu juiz

 

ENQUANTO BEBO DESTE MEU ODRE DE IMPULSOS OURIVES
   
    Madrugada empinada / de pombas & pedras
    os sufocos da lua entre surras alcoólicas
    Cristalino aceso
     lascívia de jumento
     tua silhueta de incêndio selou minha vida
     Sou carvão em tua saia
     cachorro curtido no teu matadouro
     Cai o silêncio
     os vaga-lumes dançam
     1 espelho de sangue me crava as veias
     o porrete do sol ronca
     o precipício do sonho cospe ondas de ecos
     exagerando sua febre mortal
     Madrugada : que ventos
     nem você nem eu nascemos verossímeis
     Somos vagabundos/ basculantes / aguaceiros lavrados

          Olha agora : te beijo
          Amanhã fujo
          Que pisemos 1 cravo & 1 relâmpago uníssono
          me ilumina / me banha
          ilumina meu canto

 

A criação é /

             & tanto / 1 estrangeirismo

     o rumor que a Catástrofe
     arrasta em seu saco de dormir 
     Nos tobogãs do lago
     na fuga –sem alento–
         da erva
     trepando na fervente estrada
     boca a boca
     céu a céu
     lado a lado
     A Criação
            que mãos não se auxilia
                             que luxúrias tortas
                                      que anjos
                                                com os arames retorcidos

         Em Miguel Anjo & em Leonardo repousa
          enquanto regressa a seus olhos a navalha
          o pólen que diremos / de escalpelo
                      o basculante que a tudo trastorna
                    o ronco do sonho
                              a sodomia que não deixa de estar recém-nascida
       Tudo o que a cratera mande
          A criação –lavrada em neve–
          em plumas de cisne / embaixo de barcas
          & chicotes de vinho que voam

 

PRISIONEIRO DO SONHO

Para Óscar Málaga

     Acendo a cratera do meu destino (aurora ardente)
     minha mente se detém em 1 piso que borbulha
     a voz do labirinto se desboca
     / de lâmina a lâmina /
     sem conseguir beijar o nó de cristal que me aprisiona
     Hoje é 1 pedra que não canta & 1onda que resvala
     Se desbaratam os truques de meu alforje
     minha sanguínea segurança de kamikaze digno
     O amor me conduziu à carniça
     A chuva está quebrando pedras no meu basculante
     Entre minha unha & minha carne me evaporo
     Aurora ardente sem ventura

 

 

CANETA DE ABUTRE INTENSIDADE

     Esta flor interna chamada bebedouro
     homúnculo arenoso
     manto ébrio que insemina seus pelos de firmeza
     no terreno baldio em que se morde o esqueleto
     Veja sua língua de sirene
     banhando a cintura resplandecente que torce o labirinto
     Não é 1 talho de cristal o bico corvo de seu vento
     Não há relógios sintonizados em seu latido-cool / florescimento de enxames /
     As filhas desta filha já não se chamam filhas
     giram suas fibras assadas na febre
     Fora de sua casa a encontra vestida
     brincando de injetar insumos a seu botão
     Fogueira de 1 suor excepcional / que reúne em torno de si os absurdos mais insensatos

          Albert Dhürer a intuiu sem prová-la
          Os tempos áureos a fizeram perdida
          Nos graneleiros da angústia brilhavam os pedaços de sua ferida
          mas não todas suas canetas / que são de 1 prenhez violenta & contagiosa
          semelhantes ao delírio de 1 águia obsessiva por descobrir seus ninhos pelo chiado
          murmúrio de 1 ar pilotado pelas chamas do capricho
          pétala que pia apenas contorna seus botões a cinza
          : esta fogueira-mulher enforcada na densa mistura de apertadas chamas :

 

 

Origiais

COITO PAUTADO

     Caldera de diablos eléctricos / mi piel a la caza de tus hornos
     Entrada la noche en mis latidos
     la fiebre levanta pirámides de agujas capaces de aparecer montañas en mi oleaje
     Tu cuerpo es mi solazo : mi sótano negro / mi Rosa Mayor & mi pandero
     la perrera de éter & cadencias que me vuelve 1 bruto pípila latigueador de camas
     & lecho de Grijalvas sexo en selva
     & nave florida & rinoceronte con arpón de plata
     En la calle o en cuartitos
     Enterrado en arena o en tus besos
     Astros de esperma : martillos vivos escupo empujo lanzo al frente
     a la calle o labio menguante en que te arrulles
     Ni 1 dedo perderé / ni 1 mano de mis naipes

          Tu rocío : tus terremotos son mi hostia / son mi droga
          el pez de sangre que derrama con su danza a mis océanos
          Desde estas alburas ya no sé
          si herré tu silla de montar o tus pezuñas
          La cama / que heredaste de tus tías aún me tienta
          La Maga de Oliveira & de Cortázar la encuentro bajo el grifo goteante de tus aullidos blancos
          Caldera horneada en la lira de sátiros sudados
          Paisaje que en su ojo / elije los pinceles & el activo en los que ha de bañarse el Action Painting
          Caldera de diablos eléctricos
          tu piel contra mi piel hace milagros

 

 

EL MILAGRO EXIGE

     Qué vía imaginaré
     para seguir flotando
     & remontar la selva siempre creciente del grosero río
     El milagro exige
     De mis huesos flor
     & de mi mente frutos
     En este crepúsculo preciso
     en que la nuca del sol
     se va de hocico
     El oro sepulta a la ceniza
     la plaga al mar
     la magia a toda prisa

 

ROSTRO QUEMADO

Para Akira Kurosawa

     He introducido mi vida
     en la vulva radiante de la estupefacción
     / Mi droga es respirar este aire caliente /
     Traducir a la luna en mi piel
     : hermanar mis heridas con su savia creciente :
     A la orilla del fulgor del tren
     Mi sueño es 1 viaje coital derramado
     / Mi escritura: mi cama /
     Mi mujer: la Pasión
     Entre espinas & flamas
     Me despierta el milagro
     de beber mi arrebol
     Pues del trébol se trata

          De la vena maciza del ornitorrinco cantor
          Del espejo pintado de sangre
          De la danza jadeante
          De vivir en sazón
          / La chaquira del muerto la revende el adiós /
          La barriada más lumpen es valeca del sol
          Porque trago arcoíris
          Porque cago relámpagos
          Quizás vuelen mis ojos
          Engarzados en viento
          a este cristal revivido / que rompe su cárcel
          : Zopilote goteando calor :

 

 

 

DESTELLOS DE VIDA LÁSER

     Me vacío totalmente
                En el carro de volteo de las palabras
     Beso el filo del derrumbe
                Arcoíris negro de las sienes
     Estoy & no estoy
                Eyaculando / como siempre / luz
     El polvo es también
                 Espíritu & follaje de mi cuerpo
     La aguja hosca del vivir
                 Rompe el cráter aniñado de mis ansias
     Figúrate nomás
                 Dibújate el hervor de tu silueta
     A la hora suprema del fervor
                 Subrayando el puente en punta de tu trance
     La hipnosis-caldo hirviente
                 Que antecede al harakiri
    
          San Suicida del Corral
                      Hijastro que trasiega dinamita
          La explosión es tu mujer
                     Cógela estallando
          El revólver del sentir
      Es tu propia costilla
          Arrecife de arrabal
                       Arremétrica sudada
          Como nube de relámpagos dementes
       Incendiando la basura
          Anidada en tus sueños de cristal

 

HOUDINI’S SONG

     I

     Vivo mi desaparición
     A la hora de los relojes blandos
     Madreado por las contracciones-soplo de oruga de esta especie-fin de fiesta
     Atrapado incluso en la olla de grillos de los yos

     II

     El bosque vidriado corre hacia el río
     Hormigueros de videntes beben mirlos
     Montañas rojas cargan al día
     En pleno tú / absorto en nos
     me voy / cavando
     no hacia atrás
     no haciendo muuus

          III

          Lo ya amado aún unge lumbre
          Las palomas no meriendan con el Cristo del perdón
          Qué más decir / hendida el hacha
          Fulge mi fuga
          espejo : el cielo
          Me he desatado
          Rompo frontones
          No soy apuesta
          Odio a mi juez

 

MIENTRAS BEBO DE ESTE MI GUAJE DE IMPULSOS ORFEBRES     

     Madrugada empinada / de palomas & piedras
     los jadeos de la luna entre tundas alcohólicas
     Cristalino encendido
     lascivia de onagro
     tu silueta de incendio ha sellado mi vida
     Soy carbón en tu falda
     perro curtido en tu carnicería
     Se derrumba el silencio
     las luciérnagas bailan
     1 espejo de sangre me martilla las venas
     el garrote del sol ronca
     el precipicio del sueño escupe marejadas de ecos
     exagerando su fiebre mortal
     Madrugada : qué vientos
     ni tú ni yo nacimos verosímiles
     Somos vagos / carros de volteo / aguaceros labrados

          Mira ahora : te beso
          Mañana me escapo
          Que pisemos 1 clavo & 1 relámpago unísono
          me ilumina / me baña
          ilumina mi canto

 

La creación es /

             & tanto / 1 extranjería

     el rumor que la Catástrofe
     arrastra en su saco de dormir 
     En los toboganes del lago
     en la huida –sin aliento–
         de la yerba
     trepando la hirviente carretera
     boca a boca
     cielo a cielo
     sien a sien
     La Creación
            de qué manos no se auxilia
                             de qué lujurias patizambas
                                      de qué ángeles
                                                con los alambres chuecos

         En Miguel Ángel & en Leonardo reposa
          mientras regresa a sus ojos la navaja
          el polen qué diremos / de escalpelo
                      el carro de volteo que todo lo trastorna
                    el ronroneo del sueño
                              la sodomía que no deja de estar recién nacida
       Todo lo que el cráter mande
          La creación –labrada en nieve–
          en plumas de cisne / bajo barcas
          & fuetes de vino que se vuelan

 

PRISIONERO DEL SUEÑO

Para Óscar Málaga

     Enciendo el cráter de mi destino (alba ardiente)
     mi mente se detiene en 1 baldosa que echa espuma
     la voz del laberinto se desboca
     / de cuchilla a cuchilla /
     sin alcanzar a besar el nudo de cristal que me aprisiona
     Hoy es 1 piedra que no canta & 1 ola que resbala
     Se desbaratan los trucos de mi alforja
     mi sanguínea seguridad de kamikaze digno
     El amor me ha conducido a la carroña
     La lluvia está picapedreando mi carro de volteo
     Entre mi uña & mi carne me evaporo
     Alba ardiente sin ventura

                    

 

 

 

 

PLUMA DE BUITRE INTENSIDAD

     Esta flor interna llamada abrevadero
     homúnculo arenoso
     manto ebrio que insemina sus cabellos de firmeza
     en el solar baldío en el que se muerde el esqueleto
     Mírale su lengua de sirena
     buceando la cintura relampagueante que tuerce el laberinto
     No es 1 tallo de cristal el pico corvo de su viento
     No hay relojes arreglados en su latido-cool / sazón de enjambres /
     Las hijas de esta hija ya no se llaman hijas
     vagan sus fibras asadas en la fiebre
     Fuera de su casa la encuentras arropada
     jugando a inyectarle sumandos a su yema
     Fogata de 1 sudor extraño / que reúne en su torno los ciempiés más insensatos

          Albert Dhürer la intuyó sin testerearla
          Los tiempos albos se la hicieron perdediza
          En los graneros de la angustia brillaban los picotazos de su huella
          pero no todas sus plumas / que son de 1 preñez violenta & contagiosa
          semejantes al delirio de 1 águila obsesionada con descubrirle sus nidos al sonido
          ronroneo de 1 aire piloteado por las llamas del capricho
          pétalo que pía apenas contonea sus gemas la ceniza
          : esta fogata-mujer ahorcada en densa salsa de apretadas llamas :

 

/, alcunha de José Alfredo Zendejas Pineda, nasceu na Ciudad de México, em 25 de dezembro de 1953 e faleceu em 10 de janeiro de 1998. Foi um poeta mexicano, fundador do movimento infrarrealista. Este movimento poético é inaugurado pelo chileno Roberto Matta, depois de ser expulso do surrealismo por Breton.

Em 1974 reaparece no México, sobretudo entre escritores como Papasquiaro e Roberto Bolaño.
Segundo o Manifesto Infrarrealista (1975), escrito por José Vicente Anaya, “o infrarrealismo é a espontânea e inesperada aparição da chave determinante que assalta e destrói todas as regras que constringem e retardam o ser humano e suas manifestações.

Assim, o infrarrealismo é a contingência que luta com os significados e mudanças que nunca podem ser previstas pelo racionalismo nem sequer com a ajuda de toneladas de equipes de precisão. O infrarrealismo está aqui, penetra em tudo e viaja no veículo do imediato”.

A antologia Respiración del laberinto foi feita em 2008, uma seleção de escritores como Bruno Montané, Juan Villoro, Diana Bellessi, Homero Carvalho, Pedro Damian, Tulio Mora e Joseantonio Suarez, inédita até então. O livro foi publicado pela primeira vez no Brasil pelo Coletivo Dulcinéia Catadora/SP, numa edição bilíngue, em 2009, traduzido pela poeta Beatriz Bajo.


 

Nasceu em São Paulo, SP, em 1980. Poeta, revisora, tradutora, professora de língua portuguesa, literatura, especialista em Literatura Brasileira (UERJ) e cursou duas matérias como aluna especial do mestrado em Letras (UEL). Seus livros são a face do fogo (selo [e] editorial – Annablume/Demônio Negro, São Paulo/SP, 2010) e : a palavra é (Atrito Art/Kan, Londrina/PR, 2010). Traduziu o livro Respiración del laberinto, do poeta mexicano Mario Papasquiaro, pelo Coletivo Dulcinéia Catadora (São Paulo/SP, 2009) e trabalha atualmente com uma novela, também mexicana, pela editora LetraSelvagem. Participou do livro de entrevistas Diálogos com a Literatura Brasileira – volume III, organizado por Marco Vasques (Movimento, Porto Alegre/RS; Letradágua, Joinville/SC, 2010). Mantém os blogues lindagraal e esquinaliteraria. Morou por 17 anos no Rio de Janeiro (RJ) e vive há 4 em Londrina.


Osíris Revista de Literatura e Arte - Ano I - Edição I © Copyleft 2011